E lá estávamos, no início da trilha após o passeio de que falei no post anterior, Nepal (parte 1).


A trilha começava em torno de 1000 metros de altitude, e tínhamos 4-6 horas de caminhada até nosso primeiro alojamento em Ghorepani, que ficava a 2874m de altitude, com uma vista espetacular das montanhas da região do Annapurna, incluindo o próprio.
Ao longo do caminho, muito verde, corredeiras, rios, pontes suspensas, bastante gente na trilha. Subindo também guias com mantimentos, dentre os quais inclusive galinhas vivas em gaiolas. Uma preocupação que tive a todo momento porque tinham me avisado: ao longo do percurso, vários lugares vendem água em garrafa, supostamente mineral. Foi dito que por vezes eles acabam reaproveitando garrafas com água de torneira ou dos rios. Para evitar dissabores, sempre fazia questão de eu mesmo verificar o lacre, e não aceitamos nenhuma garrafa que viesse com o lacre aberto. A última coisa que precisaríamos seria ter algum desarranjo no meio do caminho, já pensou?




reverência à Natureza

A ideia era dormir cedo, acordar às 4h da manhã para fazer uma trilha noturna até o topo Poonhill a 3210m de altitude, e ver o nascer do Sol por entre as montanhas. No alojamento não há muito o que fazer mesmo, tomar banho, comer, e ir dormir. E lá fomos nós, lanternas nas testas e nas mãos, dar boas-vindas ao Sol lá de cima.


Lá em cima, uma banquinha vendendo chá e café, e o espetáculo da Natureza, gratuito, ia se descortinando… meu guia tirou uma foto minha sem que eu percebesse, enquanto eu estava tomando chá (limão, gengibre e mel, meu favorito na trilha). Essa foto é uma das minhas preferidas até hoje:







Depois disso, descemos a montanha, pudemos tomar o café da manhã para mais um dia de trilha, 6hs de caminhada até Tadapani, já a 2710m de altitude. Depois de Tadapani, mais três dias de caminhada: Tadapani para Ghandruk (1940m), no dia seguinte para Tolka(1790m), para no último dia descermos até Phedi(830m), onde o carro nos pegaria para levar de volta a Pokhara. Caminho de volta com muitas paisagens bonitas, mata fechada, corredeiras de água por todo o caminho. A comida nos alojamentos ao longo do caminho não variava muito, muito arroz, frango, algumas frituras típicas. Uma noite que eu não aguentava mais, pedi batatas cozidas. Elas vieram servidas com casca e tudo…








ajuda dos sherpas pela subida a 16 montanhas no Himalaia


Nessa noite jantamos em Pokhara, encontramos até uns pubs e restaurantes legais, num deles inclusive havia uma garrafa de Sagatiba, e conversei com o barman se ele sabia o que era, ele disse que era uma bebida do Brasil que o chefe havia comprado. “Sabe o que fazer com ela?”. Ele disse que não, meio sem graça. Expliquei que basicamente ele podia usar como usa a vodka, mas a mais famosa bebida era com gelo, limão e açúcar.


No dia seguinte, pegamos o aviãozinho de volta para Kathmandu. Não havia lugar marcado na volta, então eu fiquei literalmente grudado no finger para ficar bem na frente, praticamente no cangote do piloto. Nosso último passeio em Kathmandu era um voo panorâmico para sobrevoar o Everest (já que não fomos até lá). Fomos cedo para o aeroporto, voos atrasaram porque estava muito fechado. Aí liberaram o primeiro avião (não era o nosso) para o Everest, e este informou que o tempo fechado deixou tudo sem visibilidade. Voltamos meio frustrados, mas tivemos o pagamento pelo voo devolvido. Os que foram no primeiro avião não tiveram essa sorte…
De uma maneira geral, foi uma experiência muito legal de estar tão longe de casa, física, metafórica e culturalmente falando, e estar em lugares tão únicos como aqueles. De lá fomos para o Butão, viagem que conto num próximo post. Espero que tenha gostado, até a próxima!
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